Consumo consciente: essa prática depende de nós
- Substitua o extrato bancário impresso pela consulta on-line e envie convites por e-mail;
- Mantenha os pneus calibrados - eles vão durar mais e o rendimento do combustível será maior;
- Prefira notebooks a desktops. A produção deles requer menos matéria-prima e energia e seu consumo anual é de 220kWh;
- Tire os aparelhos eletrônicos das tomadas quando não estiverem sendo utilizados. Para você ter idéia, só a televisão quando desligada, mas conectada à tomada, continua consumindo de 10 a 15% de energia.
Por Cláudia Buzzette Calais, gerente de Responsabilidade Social da Fundação Bunge
O valor do voluntariado
Nascido no país em meados do século XVI com a instalação da Santa Casa de Misericórdia, na Vila de Santos, o voluntariado assumiu ao longo dos séculos contornos ousados e revolucionários.
Se antes, a nobre atividade de doar o tempo, recursos humanos e financeiros em benefício do bem comum, cumpria a função de minimizar o sofrimento dos desprovidos - dando a estes assistência e suporte para uma vida digna - agora o movimento que envolve os diversos setores da sociedade, comporta-se como um importante agente de mudanças nas esferas pública e privada.
É possível que, no Brasil, o divisor de águas entre o voluntariado de caráter meramente filantrópico e o ator social comprometido com a promoção do desenvolvimento comunitário tenha sido o processo de redemocratização, ocorrido no final da década de 80. Com o surgimento das ONGs – “Organizações não governamentais” – entidades da sociedade civil voltadas para as questões de interesse público – a reivindicação dos direitos do cidadão e a defesa do meio ambiente foram institucionalizadas. Ganharam, portanto, mais força no cenário nacional e global.
Na esteira destas mudanças é que o voluntariado corporativo ganhou musculatura. As empresas estão cada vez mais tomando consciência do seu papel na sociedade; de que podem assumir a responsabilidade de promover o desenvolvimento também àqueles que não estão em seus quadros funcionais. E, que, ao agir desta forma, não só contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, como também – e principalmente –, crescem com o aprendizado adquirido nestas novas experiências.
Ao romper os muros que delimitam fisicamente suas unidades, as empresas encontram um mar de conhecimentos que passa pelo resgate de valores essenciais à vida e aos negócios: o respeito, a solidariedade, a dignidade, a ética. Os subprodutos da ação voluntária, quando genuinamente praticadas nas organizações, são: a melhoria do clima organizacional; a integração efetiva entre as pessoas nos âmbitos pessoal e profissional; o desenvolvimento de habilidades como comunicação, liderança, trabalho em equipe; a descoberta de talentos individuais que promovem o crescimento coletivo; o aumento da produtividade e racionalidade dos processos; o estabelecimento de vínculos com a comunidade e o poder público local; entre tantos outros.
Mas, acima de tudo o voluntariado promove a humanização das relações: entre os homens e do homem com o meio ambiente. E estas também são questões cruciais para as empresas. As organizações são formadas por pessoas. Quanto mais harmoniosas forem as relações estabelecidas entre elas, mais efetivos serão os resultados gerados nestas interações. Paralelo a isto, as organizações dependem, em primeira ou última instância, dos recursos naturais para produzir. Muitos deles são finitos. Rediscutir o modelo de atuação para assegurar a sobrevivência no longo prazo, torna-se, portanto, uma questão premente. E, envolver todas as pessoas voluntariamente nesta discussão pode ser a prova suprema da sagacidade.
Que o voluntariado ocupe, portanto, o nobre lugar da promoção do desenvolvimento da sociedade a partir do resgate de valores que devem nortear a essência humana.
Juliana Santana é coordenadora de projetos da Fundação Bunge
O lado sustentável de cada um
Essa confusão de conceitos e práticas não está apenas na cabeça do dito cidadão comum. Uma pesquisa divulgada pela ABERJE (Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial) revelou que apenas 13% dos profissionais entrevistados relacionam o tema ao conceito do triple bottom line (desenvolvimento econômico com responsabilidade social e ambiental), muito adotado pelas empresas. Uma parcela significativa, 21%, relaciona o tema apenas a um dos pilares, o ambiental – aliás, prática muito comum também entre os empresários. Outro conceito difundido, talvez mais próximo da nossa realidade, é o de “adotar práticas no presente que não comprometam as gerações futuras”. Esse conceito nos leva a pensar e questionar as nossas práticas e como estamos colaborando nesse processo.
Muitas vezes, temos noção dos riscos ocasionados pelas mudanças climáticas, temos opinião formada a respeito do protocolo de Kyoto e conseguimos identificar aspectos falhos no atual modelo de crescimento econômico global. Porém, não conseguimos perceber o nosso papel nessa engrenagem. Não entendemos que somos protagonistas e vítimas de nossas ações. Que somos formandos e formadores de um processo maior de transformação econômica, social e ambiental. Nossas práticas revelam quem somos e no que acreditamos.
Precisamos de lideranças empresariais, políticas e sociais comprometidas com as mudanças que uma sociedade sustentável exige e, acima de tudo, capazes de conduzir esse processo. Porém, precisamos também começar a fazer a nossa parte. Somos responsáveis em exigir práticas macroeconômicas éticas , mas também em sermos éticos nas pequenas decisões econômicas que gerenciamos nas nossas relações interpessoais, nos nossos lares, nos nossos ambientes de trabalho. Somos responsáveis por reivindicar a preservação dos nossos ecossistemas, mas também por adotar o consumo consciente para minimizar o descarte de produtos na natureza. Somos responsáveis por cobrar políticas sociais eficientes sem interesses meramente eleitorais, mas também temos de nos sentir instigados a compartilhar o nosso conhecimento em prol do desenvolvimento do outro.
No século passado, certamente para falar de outro tema, o pacifista Mahatma Gandhi nos sinalizou com o caminho a ser trilhado para garantirmos a sustentabilidade de nossas ações: “Seja a mudança que você deseja ver no mundo.”
Por Cláudia Buzzette Calais, gerente de Responsabilidade Social da Fundação Bunge
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