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Mudanças climáticas são os novos desafios de inovação na agricultura


Publicado em 15/09/14 às 15h15 envie a um amigoenvie para um amigo

O economista Thomas Malthus, em 1798, defendia o controle do aumento populacional em sua teoria, conhecida como malthusianismo, na qual explicava que a população crescia em progressão geométrica (exponencial), enquanto a produção de alimentos crescia em progressão aritmética (linear), ou seja, o crescimento da população estaria em descompasso com a produção de alimentos, gerando como consequência a fome. O desenvolvimento e o uso de tecnologias agrícolas apropriadas elevou a produtividade de alimentos no mundo, de tal maneira que a fome há muito deixou de ter relação direta com a falta de produção de alimentos. Em 1970, por exemplo, o mundo tinha 3,6 bilhões de pessoas e uma produção per capita de 0,306 t em uma área colhida per capita de 0,205 hectares. Em 2005, a produção per capita foi de 0,344 t em uma área colhida per capita de 0,106 hectares.

Estes avanços, no entanto, estão ameaçados. O recente Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, de março de 2014, faz um alerta sobre os impactos das mudanças climáticas na produtividade agrícola. Isso decorre do fato de que a agricultura ainda é uma atividade dependente de fatores climáticos cujas modificações podem causar alterações na intensidade de colheita, devido a uma mudança no número de graus-dia de crescimento, e na ocorrência e na severidade de pragas e doenças.

Portanto, além do desafio de alimentar 9,6 bilhões de pessoas, população prevista para 2050, que demandará um aumento de 70% na produção de alimentos nas próximas quatro décadas, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas, a agricultura também terá de transformar o aquecimento global numa oportunidade de inovação, tanto para a criação de tecnologias para o desenvolvimento de plantas e organismos adaptados a novos cenários climáticos, quanto para a melhoria de processos produtivos e de distribuição, e para a construção de mecanismos para a redução da concentração atmosférica dos gases do efeito estufa.

Os próximos passos para a manutenção e ampliação da produtividade agrícola envolvem inovação e sustentabilidade. Mesmo países sem histórico com a questão ambiental vêm se mobilizando para adaptar-se aos novos cenários envolvendo a produção e a produtividade agrícola. A China, por exemplo, endureceu a lei contra poluidores, depois que pesquisas apontaram que 16% do solo do país estava poluído, quase um quinto de áreas de cultivo foram contaminadas por elementos inorgânicos, como o cádmio, que 60% dos lençóis freáticos analisados no país estão contaminados e que a água não podia ser consumida sem tratamento. Os Estados Unidos também anunciaram novas leis regulamentando as emissões das usinas elétricas no país, que funcionam principalmente à base de carvão, para reduzir suas emissões de CO2 em 30% até 2030.

O Brasil, neste contexto, tem posição privilegiada. Além do potencial para ampliação da produção agrícola, possui a maior diversidade biológica do planeta, abrigando entre 15% e 20% do número total de espécies, em seis grandes biomas. Acrescente-se a isso a imensa diversidade ambiental e disponibilidade de recursos hídricos. A biodiversidade e os ecossistemas ajudam tanto na adaptação às alterações climáticas, como contribuem para atenuar os seus efeitos. A tendência é que, nos próximos anos, o nosso país tenha um papel preponderante no mercado agrícola global, podendo também assumir uma posição estratégica como produtor de biocombustíveis que, com os avanços tecnológicos, podem se tornar uma alternativa aos de origem fóssil, uma vez que a produtividade por hectare de combustível derivado de cana é bem superior a da beterraba europeia e a do milho americano.

Produtividade Agrícola Sustentável é tema da 59ª Edição do Prêmio Fundação Bunge.


 Por Adalberto Luis Val é Diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA e membro do Conselho Administrativo da Fundação Bunge.

A importância e os desafios das artes circenses


Publicado em 21/08/14 às 16h45 envie a um amigoenvie para um amigo

O circo é uma das expressões artísticas que sobreviveram a todas as revoluções culturais, políticas e sociais pelas quais a humanidade passou. No Brasil, onde originalmente as apresentações eram feitas nas periferias das grandes cidades e tinham seus shows voltados para todas as classes, o circo alcançou o status de bem do patrimônio cultural.

Hoje, segundo levantamento da Associação Brasileira de Circo – Abracirco, existem cerca de 180 circos itinerantes em todo o Brasil. O número é pequeno, se considerarmos que, em muitos municípios do interior do País, o acesso a linguagens artísticas do teatro, dança, artes visuais e performances ainda chega apenas por meio do circo. Dados de 2010 do Ministério da Cultura revelam que apenas 21,2% das cidades brasileiras possuem teatros e, desse total, 62% ficam nas regiões sul e sudeste. O estado inteiro do Tocantins, por exemplo, possui apenas um teatro. Portanto, o circo também tem um papel importante como disseminador de cultura.

Se, por um lado, a tradição itinerante do circo possibilita levar o espetáculo ao público, até mesmo nos rincões do país, por outro, enfrenta enormes desafios. O primeiro deles é a falta de espaço público para montagem da lona, pois, com a especulação imobiliária, tornou-se cada vez mais difícil encontrar grandes áreas públicas para montagem do circo, além da falta de legislação que assegure a instalação e o funcionamento destes circos nos mais de cinco mil municípios brasileiros.

Também desafiadora é a disputa por espaços simbólicos, de reconhecimento e incentivo dentro dos novos conceitos de sociedade e mercado cultural. É muito difícil adequar projetos circenses às leis de incentivo à cultura do governo, seja pelas barreiras das realidades locais, seja pela natureza da manifestação artística que, preservando as características tradicionais, não encontram tanto espaço na mídia e no mercado, o que se torna uma barreira para a atração de empresas dispostas a investir.

Apesar do cenário, tais desafios ajudam a manter a tradição. Nos últimos anos, após o fechamento de diversos circos de grandes famílias com tradição circense, a manifestação ganhou novas roupagens, em uma tentativa de manter viva a atividade, com a criação de escolas em total consonância com o circo tradicional, o que vem incentivando a prática entre os jovens, formando profissionais e estimulando um novo espaço de trabalho para os artistas que não têm mais condições de continuar viajando. Muito comum também é encontrar escolas infantis que adotaram aulas de circo como parte do currículo, utilizando da ludicidade como forma de estimular a sociabilidade, criatividade e o desenvolvimento da criança. Importante elemento para construção imaginário infantil, a arte circense já inspirou diversos artistas e escritores, como Monteiro Lobato, que construiu histórias infantis inspiradas no universo circense, como na obra O Circo de Escavalinho

Artes Circenses é tema da 59ª Edição do Prêmio Fundação Bunge, criado para incentivar as artes, ciências e letras, homenagear o poder transformador dos indivíduos na sociedade e estimular novos talentos.

Por Maria Bonomi - artista plástica, doutora em Poéticas Visuais pela ECA/USP e membro do Conselho Administrativo da Fundação Bunge.

Oralidade: a tradição de guardar memórias e expressar histórias


Publicado em 03/07/14 às 09h00 envie a um amigoenvie para um amigo

Sempre pensamos em oralidade como o som que sai da boca, o que é vocalizado, a voz. A voz é um dos elementos desta prática cultural. A oralidade está presente em todo o corpo e fora dele. Nos gestos que fazemos, nos objetos que tocamos e tradições que mantemos. Cada som e cada gesto gravam, nos corpos e nos objetos, a memória produzida naquele instante. Equivocadamente, limitamos a oralidade apenas às sociedades tradicionais (indígenas ou africanas), em seus momentos ritualísticos. Nestas sociedades, oralidade é a força com a qual o corpo se expressa nos seus mais amplos sentidos: na fala, na dança, jeito de andar, etc.

Durante muito tempo, julgou-se que os povos sem escrita fossem “povos sem cultura”. No entanto, esse frágil e infundado conceito caiu por terra há muito tempo. Os pesquisadores e estudiosos já sabem que podemos conceder à oralidade a mesma confiança que concedemos à escrita, quando se trata de fatos do passado em sociedades orais. Segundo Hampâté Bâ, em seu clássico texto “A tradição viva”, os “primeiros arquivos ou bibliotecas do mundo foram o cérebro dos homens. Antes de colocar seus pensamentos no papel, o escritor ou estudioso mantém um diálogo secreto consigo mesmo.” Por isso, em sociedades orais africanas, “não apenas a função da memória é mais desenvolvida, mas também a ligação entre o homem e a palavra é mais forte. Lá onde não existe escrita, o homem está ligado à palavra que profere. Está comprometido por ela. Ele é a palavra, e a palavra encerra um testemunho daquilo que ele é. A própria coesão da sociedade repousa no valor e no respeito pela palavra”.

Antes da escrita, as sociedades Ocidentais também utilizavam a oralidade como o veículo fundamental para transmitir regras, ensinamentos e costumes de uma geração para outra. Em algumas culturas, qualquer um podia passar as histórias adiante; em outras, apenas os contadores especializados exerciam essa tarefa, como é o caso da África Ocidental, com a figura do Griot.

Nosso país foi formado por povos que tinham uma forte cultura oral, principalmente os de matrizes indígenas e africanas. Ainda permanecem algumas dessas práticas nas comunidades descendentes mais tradicionais, bem como em tradições resignificadas, como os autos de Bumba-meu-boi e a Litaratura de Cordel, nos quais se misturam o ato de escrever e de recitar.

Pouco a pouco, em sociedades modernas, a ação de contar histórias foi dando lugar à leitura delas. Mas a leitura “em voz alta” também é uma prática de oralidade. A leitura não precisa ser uma ação individual. Quando o acesso aos livros era difícil, e a alfabetização um privilégio de poucos, ela também era um elemento agregador e coletivo, para divertir e informar. Não apenas entre a família, à luz de vela, lampião ou candelabro, mas também nos Saraus das salas “de estar” e coretos das cidades.

Você se lembra do seu contador de histórias? Pais, avós, tios, professores, irmãos... Aqueles que te conduziram pelo universo da fantasia, preparando você para o mundo da realidade? Hoje, sabemos o quanto estes momentos foram fundamentalmente marcantes em nossas vidas, não apenas pelas histórias que ainda estão em nós, mas também pela relação que estabelecemos com esses contadores. E essa prática ainda repousa em nossa memória, porque é uma importante ligação com o passado. Uma tradição por vezes perpetuada. Por vezes abandonada.

Por: Viviane Lima de Morais, historiadora do Centro de Memória Bunge

Dia da Consciência Negra


Publicado em 20/11/13 às 09h30 envie a um amigoenvie para um amigo

20 de novembro é o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Neste dia, diversas cidades do país param suas atividades para refletir sobre a história do negro na sociedade brasileira. Instituída oficialmente em 2011, a data coincide com a morte do Zumbi dos Palmares, um dos líderes do Quilombo dos Palmares, em 20 de novembro de 1695.

Neste dia tão importante, apresento aos leitores do Blog da Fundação um artigo de minha autoria, publicado em outubro de 2013 na revista O MENELICK 2º ATO – AFROBRASILIDADES & AFINS. A revista é dedicada à valorização e reflexão acerca da produção artística da diáspora africana, bem como das manifestações culturais popular e urbana do ocidente negro, com especial destaque para o Brasil.

No artigo, destaco um dos costumes mais marcantes da cultura de muitas comunidades africanas: o uso das máscaras, principalmente as de boi. O texto discute o que essa prática e esse animal representam para esses povos, e traça algumas relações entre esses significados na África e no Brasil. Confira a íntegra do texto: http://bit.ly/1bN6rg2.

Por Viviane Lima de Morais, historiadora do Centro de Memória Bunge

Protagonismo Jovem


Publicado em 13/11/13 às 14h30 envie a um amigoenvie para um amigo

Em 05 de agosto de 2013, foi sancionada a lei que instituiu o Estatuto da Juventude e que entrará em vigor no mês de fevereiro de 2014.

O Estatuto pode ser compreendido como o marco legal para a instituição e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à juventude. No entanto, é importante destacar que o instrumento jurídico não será responsável pela melhoria da equidade social entre os jovens. É necessário que a juventude permaneça buscando e colocando em prática aquilo que reflete a sua condição: o protagonismo.

Apesar de ser considerada um bordão no segmento jovem, a palavra protagonismo permanece insubstituível quando queremos destacar a atuação do jovem dentro do cenário político de suas comunidades. Protagonizar vai além de assumir um papel de destaque - significa entender e participar dos conflitos sociais que compõem a nossa sociedade e que estão em constantes transformações. Pressupõe exercer o poder político e influenciar na construção da cidadania.

O jovem protagonista é aberto às diferenças, e percebe que essa condição é necessária para o estabelecimento do diálogo entre os diversos atores presentes no ambiente público. Inserido na coletividade, o jovem se organiza em torno de ações que podem ser pequenas, mas que são responsáveis por gerar visibilidade e disseminar as inquietações que circundam esse público.

As pequenas ações também podem expressar o potencial de participação política do jovem, e indicam como que as conquistas sociais podem ser adquiridas e partilhadas. Talvez o grande desafio não esteja no tamanho das ideias e iniciativas que são propostas pelos jovens, mas principalmente no que está sendo realizado para o enraizamento dessas ações.

Por Pedro Barizon, Coordenador de Projetos da Fundação Bunge

A importância dos livros infantis para a formação de leitores


Publicado em 17/06/13 às 11h45 envie a um amigoenvie para um amigo

Quando fui convidada a escrever sobre este tema duas coisas vieram a minha mente: a primeira, o medo de escrever bobagem, pois não sou uma especialista da área, apenas uma apaixonada por literatura, principalmente a infantil. A segunda foi à convicção de que livros não servem apenas para formar leitores e sim para formar gente, gente de verdade.

O principal papel dos livros na infância é ampliar os nossos horizontes. É servir de combustível para a criatividade – que na infância, vamos combinar, não é pouca – é, acima de tudo, estimular o pensamento, ou melhor, a liberdade de pensamento. O livro tem que ser o nosso campo de pouso e decolagem para novas aventuras, novas descobertas. Crianças que têm a sua capacidade criativa estimulada e são instigadas a pensar são mais felizes, se relacionam melhor, conseguem abstrair melhor os dilemas impostos pela vida como as perdas, a ausência, os desafios, a falta de amor, por exemplo.

Criança não precisa receber a história pronta. Ela só precisa de um enredo para ter a liberdade de se aventurar. Ela gosta do belo, do lúdico do criativo, pois esses são os elementos fundamentais para elas imaginarem suas histórias. É por isso que hoje nas livrarias volta e meia nos deparamos com livros que ao finalizarmos a leitura pensamos: mas será que as crianças conseguem entender isso? Conseguem! A sua maneira, é claro. Mas existe maneira correta de se decifrar um livro?

A minha geração – de uma Brasil praticamente rural - cresceu embalada pelas histórias magníficas da Dona Benta. Quem não se imaginou nas aventuras de Emília e companhia? Monteiro Lobato sintetizou com primazia o imaginário de toda uma geração que sonhava com a chegada das férias escolares para gozá-las na casa dos avós. Hoje – falando de um Brasil mais urbano – levamos nossos filhos à Disney, colocamos eles em contato com outras culturas muito mais cedo. O acesso a informação está ampliado, o conteúdo, muitas vezes já chega pronto. Aí os livros são fundamentais para aprofundar o pensar e ao mesmo tempo trazer a tona a sensibilidade.

O livro na infância, não forma apenas leitores. Ele forma gente. Gente que aprende a chorar, a sorrir; a dizer a verdade e a, de vez em quando - só de vez em quando - a mentir; a se emocionar e a proporcionar a outros a emoção de servir.

Por: Cláudia Buzzette Calais, Diretora Executiva da Fundação Bunge

Fudai, tsunamis e gerenciamento de riscos para o patrimônio cultural


Publicado em 18/12/12 às 16h00 envie a um amigoenvie para um amigo

Quando, na década de 70, o prefeito da cidade de Fudai (Japão) decidiu construir um portão de 15,5 metros de altura para protegê-la de tsunamis, a um custo equivalente a 30 milhões de dólares atuais, sua decisão foi duramente criticada como desperdício de dinheiro público. Ele faleceu em 1997, sem nunca ter presenciado o uso dessa barreira protetora... Cerca de 30 anos após a conclusão da obra, em março de 2011, um terremoto de grande intensidade atingiu a região gerando um tsunami de iguais proporções, que devastou parte da costa nordeste do Japão. Localizada na zona atingida pelo tsunami, onde muitas cidades sofreram grande destruição, Fudai permaneceu virtualmente intacta e sem vítimas. O portão foi fechado e bloqueou eficientemente as ondas destrutivas, revelando-se uma excelente medida de redução do risco relativamente raro, mas catastrófico, de tsunamis.

O exemplo descrito acima é perfeitamente aplicável e reconhecível em muitas instituições patrimoniais, onde riscos de elevada magnitude são muitas vezes desconhecidos, percebidos como não prioritários ou intencionalmente negligenciados devido à sua frequência de ocorrência relativamente baixa, aos elevados custos das medidas de mitigação e à baixa visibilidade/aceitação resultante da implantação das mesmas, cuja utilização pode vir a ser necessária apenas muitos anos depois, provavelmente em gestões subsequentes. O risco de incêndio em instituições patrimoniais, tipicamente elevado, relativamente raro por instituição e cuja mitigação eficiente requer investimentos significativos, ilustra bem essa situação.

Os gestores de acervos culturais, para poderem tomar decisões bem instruídas e eficazes voltadas à preservação em longo prazo, acesso e uso sustentável desses acervos, necessitam ter uma visão abrangente de todos os perigos que os afligem, assim como da frequência ou rapidez com que tendem a ocorrer e de seu potencial de impacto, ou seja, de causar perdas e danos. Esses perigos incluem desde eventos catastróficos e tipicamente mais raros (inundações, deslizamentos, incêndios de grandes proporções etc.) até os processos graduais e acumulativos de degradação que afetam os materiais que constituem os acervos culturais (corrosão de metais, esmaecimento de cores, enfraquecimento estrutural por reações químicas diversas, biodeterioração etc.). A avaliação abrangente de todos os riscos possíveis e suas respectivas magnitudes permite estabelecer prioridades de ação e alocação de recursos, tipicamente limitados, para a salvaguarda e fruição de nossas coleções, edificações e sítios patrimoniais em seus respectivos contextos. Isso, por sua vez, estimula uma gestão mais transparente e uma maior integração interinstitucional e intersetorial.

O gerenciamento de riscos, ferramenta de gestão bem estabelecida e amplamente utilizada em outros setores, como meio ambiente, saúde, tecnológico, econômico etc., e recentemente introduzido no campo do patrimônio cultural, permite não apenas a identificação exaustiva, análise quantitativa e priorização dos riscos para um determinado acervo cultural, mas também contempla o desenvolvimento de medidas eficazes e estratégias sustentáveis para a mitigação desses riscos segundo seu grau de prioridade. A identificação sistemática e abrangente de riscos para o patrimônio cultural beneficia-se do uso de ferramentas conceituais como os 10 agentes de deterioração de acervos (forças físicas, criminosos, água, fogo, pragas, contaminantes, luz e radiação ultravioleta e infravermelha, temperatura incorreta, umidade relativa incorreta e dissociação) e as camadas de envoltório de acervos (região geográfica, entorno, edifício, sala, unidades de armazenamento, materiais de embalagem e suporte). Os riscos são identificados segundo cada agente de deterioração e nas distintas camadas de envoltório do acervo. Para o desenvolvimento de opções dirigidas à eliminação ou redução de riscos, outra ferramenta conceitual utilizada são as etapas de controle de riscos, que incluem: evitar (a fonte do risco), bloquear (os agentes de deterioração), detectar (os agentes de deterioração nas áreas de acervo ou sua proximidade), responder (de forma rápida e eficaz à presença dos agentes de deterioração) e recuperar (do dano causado, conforme necessidade). Obviamente, a prioridade do tratamento de riscos é a prevenção. Contudo, um gerenciamento de riscos responsável deve prever um grau de redundância com medidas reativas, caso aquelas preventivas venham a falhar. As medidas desenvolvidas são criticamente avaliadas segundo critérios de factibilidade, sustentabilidade, relação benefício-custo, complementaridade ou conflito entre si, introdução de riscos colaterais etc. Isso permite a seleção bem embasada das opções mais eficazes, cuja implantação pode ser estruturada em um Plano de Tratamento de Riscos.

A adoção séria e a integração do gerenciamento de riscos em nossas instituições e órgãos patrimoniais seguramente contribuirá para otimizar o uso dos recursos disponíveis e reduzir significativamente perdas e danos futuros ao patrimônio, em especial aqueles decorrentes da falta de informação e da falta de critérios robustos de priorização. Para podermos transmitir nossos acervos culturais às gerações futuras com a menor perda de valor e a maior acessibilidade possível, é imprescindível evitar o “achismo” e passar a orientar as decisões voltadas à proteção desse patrimônio com base em critérios bem definidos e em justificativas fundamentadas em dados estatísticos e técnico-científicos confiáveis. Obviamente, a gestão do risco implica a gestão da incerteza. Não podemos prever o futuro com 100% de certeza, mas é possível fazer previsões bem instruídas e certamente úteis para orientar as tomadas de decisão e maximizar seu impacto sobre a preservação do patrimônio cultural. É essencial, contudo, que os gestores e autoridades estejam realmente dispostos a utilizar essa ferramenta, mesmo que isso signifique a realização de ações pouco visíveis, aparentemente onerosas e sem resultados imediatos em curto prazo. Espelhemo-nos no exemplo de Fudai e comecemos a construir uma cultura de gerenciamento de riscos para nossos acervos culturais.

Por: José Luiz Pedersoli Jr., cientista da conservação e especialista em gerenciamento de riscos para o patrimônio cultural

Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil


Publicado em 31/10/12 às 11h30 envie a um amigoenvie para um amigo

Historicamente, até após as grandes guerras mundiais, o conceito de segurança alimentar se contextualizava no conceito de segurança e soberania nacional, especialmente no que diz respeito à produção de alimentos em quantidade de suficiente para abastecer o consumo da população.

Em seguida, Josué de Castro, com sua grande obra “Geografia da Fome”, deu ínicio às discussões que inseria o debate acerca dos problemas nutricionais da época, a fome, no debate das questões sociais. Com isso, o estimado Josué de Castro, ícone nesta temática, já projetava o Brasil para o atual cenário de prospecção no que diz respeito a segurança alimentar e nutricional, apontando um olhar para além do simplesmente biológico das ciências nutricionais.

Entretanto, na década de setenta, embasada pela então crise mundial, a Conferência Mundial de Alimentação (1974) traz o foco da segurança alimentar de volta para o produto, e não para o humano. A soberania alimentar baseada na simples e quantitativa contagem de calorias retorna e delineia as questões de segurança alimentar.

O pensamento segue e o que Josué de Castro já apontava décadas passadas retorna, mas, desta vez, para se estabelecer, auxiliando na condução dos conceitos atuais de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Começa-se a falar de acesso econômico como causa de insegurança alimentar, os direitos humanos são vistos como indivisíveis, e eis que, em 1986, nasce a I Conferência Nacional de Alimentação e Nutrição no Brasil, conferindo olhar qualitativo às questões nutricionais. Seguimos nesta conduta, e avançamos nossas discussões de forma que, no novo milênio, o Brasil desponta no tema Segurança Alimentar e Nutricional. Programas e políticas públicas são lançados, e o Conselho Nacional de Segurança Alimentar é instaurado.

A partir daí, o Brasil se destaca e, com uma visão holística e prospectiva, desenvolve, no contexto de uma Conferência Nacional, a definição mais completa de Segurança Alimentar e Nutricional, como segue:

“Segurança Alimentar e Nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis”¹ (BRASIL, 2006).

De acordo com a definição acima, SAN objetiva não apenas a erradicação da fome, mas também o exercício do direito humano à alimentação adequada. Isto significa que as pessoas devem ter acesso a dietas contendo seu aporte calórico adequado, mas também micronutrientes e outros compostos de importância nutricional. E ainda mais: considera não apenas as questões sociais e econômicas, mas também ambientais e culturais em que os indivíduos estão inseridos, conferindo, obrigatoriamente, caráter interdisciplinar e intersetorial às ações de SAN, e colocando de vez o Brasil na vanguarda no que tange a SAN.

É fato que avançamos. Em adição e alinhada ao conceito, uma política pública de SAN foi também desenvolvida, dando origem a diversos programas sociais. Um sistema de SAN (SISAN) inicia sua implementação. Apesar do recente caráter histórico, os primeiros resultados surgem, e estes demonstram que grandes desafios ainda deverão ser superados. Apesar do grande avanço alcançado nos últimos tempos, muito ainda há de se fazer. Há consciência coletiva e unânime no olhar holístico e abrangente, mas a implementação deste ainda pode ser considerado o grande desafio. Entre outros, conferir caráter estruturante às medidas até então emergenciais, de forma a evitar o assistencialismo, ainda está em voga. De mesmo modo, a intensificação e consolidação da intersetorialidade inerente ao caminho que escolhemos a partir de nossa definição de SAN também está na lista de afazeres. Tornar possível a exigibilidade do direito humano a alimentação adequada, constituindo-o de forma universal, é o ápice de nosso foco. E isso tudo dentro do contexto de sustentabilidade. Ou seja, avançamos e muito! Somos vanguarda? Sim, mas com um longo caminho a percorrer.

Por Fernanda Abadio Finco - Universidade Federal do Tocantins/Universidade de Hohenheim - Coordenadora executiva do projeto de Cooperação Internacional NoPa - Econutrição.
Contemplada com o Prêmio Fundação Bunge 2012 - Categoria "Juventude".

¹Art. 3º da Lei 11.346 de 15 de setembro de 2006 – Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional.

Avaliação educacional


Publicado em 24/09/12 às 10h30 envie a um amigoenvie para um amigo

Pode-se observar a educação de dentro e de fora da escola. O olhar de fora é o dos pais que querem saber se seus filhos estão aprendendo o que precisam para a vida e, o olhar de dentro é o das professoras que precisam saber se seus alunos aprenderam o que lhes ensinou.

A avaliação educacional existe para atender a essas duas necessidades. A avaliação da aprendizagem, desenvolvida pelo professor, que busca saber se os conhecimentos e competências ensinados foram incorporados pelo aluno, responde à pergunta: o aluno aprendeu o que lhe foi ensinado? E a avaliação do ensino responde à questão: foi ensinado o que deveria ter sido ensinado?

Falo apenas da avaliação do ensino, menos conhecida, muito criticada, mas tão necessária. Esse tipo de avaliação educacional trata de três problemas: o registro do aprendizado – hoje o principal resultado dos processos educacionais – a equidade educacional e a capacidade de a escola produzir esses resultados.

O aprendizado do aluno é a expressão privilegiada do atendimento do direito constitucional à educação. No entanto, um direito que não é verificado é apenas uma utopia. Daí a importância do registro do aprendizado, o que só pode ser feito, quando os alunos se contam aos milhões, com o uso de várias tecnologias, principalmente estatísticas.

Esse registro do aprendizado é usado para verificar se os alunos aprenderam o suficiente e comparar a situação dos matriculados em escolas ou redes diferentes. Mas, além disso, possibilita o entendimento das diferenças de aprendizado. Como estamos falando de educação básica, variações são esperadas, pois os indivíduos não são iguais, mas desigualdades entre grupos definidos por critérios sociodemográficos são injustas e devem ser combatidas.

A terceira questão que a avaliação educacional possibilita estudar é a identificação de as escolas que conseguem fazer com que seus alunos, de fato, aprendam, independentemente, de suas características sóciodemográficas. No Brasil, refletindo o tempo em que a escola não era para todos, persiste o uso de uma pedagogia padrão que, com frequência, não é adequada aos alunos reais da escola. Diante disso é muito importante saber qual escola está funcionando bem, o que é sintetizado no chamado “efeito da escola”.

No Brasil existem várias iniciativas de avaliação do ensino, tanto no governo federal como nos estaduais e mesmo municipais. Esses sistemas, entretanto, não têm conseguido informar adequadamente à sociedade e às escolas exatamente o que os números obtidos significam. Essa falta de disseminação da interpretação pedagógica tem impedido o uso mais eficiente das informações geradas pelas avaliações e tem provocado o surgimento de muitas resistências.

Por Francisco Soares - Conselho Nacional de Educação e Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais da Faculdade de Educação da UFMG.
Contemplado com o Prêmio Fundação Bunge 2012 em Avaliação Educacional - categoria "Vida e Obra".

Patrimônio imaterial e políticas públicas participativas


Publicado em 30/07/12 às 17h00 envie a um amigoenvie para um amigo

O conceito de patrimônio imaterial é recente. No Brasil, somente no ano 2000 é que se constitui uma política governamental voltada para o chamado patrimônio imaterial. Mas o que é exatamente patrimônio imaterial?

Segundo o Programa Nacional de Patrimônio Imaterial, são os bens culturais que consideram celebrações, lugares, saberes e ofícios, formas de expressões, modos de fazer e viver como patrimônio cultural brasileiro. A UNESCO possui a expressão “patrimônio intangível” para denominar o que consideramos como patrimônio imaterial, definindo-o como "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural."

Tanto no caso da política de patrimônio cultural brasileira quanto no da UNESCO, o reconhecimento da importância da manifestação cultural parte das referências que os próprios produtores e agentes culturais dão às suas ações. Dessa maneira, ao partir dos valores das comunidades culturais, as questões do patrimônio imaterial ou intangível envolvem a participação ativa da sociedade civil na implementação de ações em prol da salvaguarda de suas manifestações culturais.

A política de patrimônio imaterial é resultado também do processo de democratização do Brasil, tendo como marco simbólico referencial a Constituição de 1988. Nesse sentido, é uma política que se esforça por dar conta da participação social em sua realização. Se o que determina o que é patrimônio cultural de natureza imaterial são os valores dos próprios grupos culturais, também os modos de execução das ações de salvaguarda do patrimônio devem incluir as considerações desses grupos e da sociedade brasileira mais ampla.

Por isso, a política de patrimônio imaterial possui o desafio de se realizar enquanto uma política pública em seu sentido mais preciso, envolvendo os poderes público, a iniciativa privada e a sociedade civil juntos para implementar, de fato, uma política participativa.

Por Simone Toji, graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e é mestre em Antropologia e Sociologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, trabalha no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN – SP).

Mediação de Leitura


Publicado em 16/04/12 às 10h00 envie a um amigoenvie para um amigo

Uma recente pesquisa apresentada pelo Instituto Pró-Livro, Retratos da Leitura no Brasil, mostra o comportamento leitor do brasileiro e nos dá subsídios para traçar diretrizes de como atuar neste universo para desenvolver o hábito de ler.

Uma questão que se destaca é que 64% dos participantes da pesquisa concordam que “ler pode fazer a diferença para a pessoa vencer na vida e melhorar sua situação econômica”. Mas 30% disseram que não gostam de ler, 37% gostam um pouco e 25% não gostam muito. Ou seja, o brasileiro reconhece a importância da leitura, mas considera a atividade desinteressante.

A pesquisa também chama atenção no que se refere a “quem mais influenciou os leitores a ler”. Neste contexto temos a professora (com 45%), a mãe (43%) e o pai (17%) exercendo esta influência.

Esses dados nos mostram o importante papel que exerce o mediador de leitura, neste caso, as instituições escola e família. Mais do que isso. Mostram que a mediação de leitura pode ocorrer muito antes de a criança ser alfabetizada, nos primeiros anos de vida, com a mãe e o pai exercendo papel fundamental na formação do futuro leitor.

Quanto mais cedo se der o início deste processo, maiores serão as possibilidades de a criança se tornar uma leitora. A leitura é um processo interativo, um hábito afetivo que possibilita contato com o outro. A leitura amplia o vocabulário, desenvolve a criatividade e possibilita uma melhor comunicação, além de ser uma fonte de cultura, conhecimento e construção de significados.

A mediação de leitura envolve emoção, carinho, paixão, e vai muito além da obrigação, da educação formal. Ela deve ser descontraída, prazerosa. Como dizia Paulo Freire, “é preciso que a leitura seja um ato de amor”.

O grande desafio do mediador de leitura é aproximar o leitor do livro. Para despertar este interesse e incentivar uma criança a ler, tem que gostar e acreditar que se pode transmitir algo. E este processo somente se consolida na medida em que se estabelece um estreitamento de vínculos nesta relação e o mediador compartilha suas experiências de forma prazerosa.

Há várias iniciativas com o propósito de intensificar o hábito da leitura, envolvendo o poder público, a iniciativa privada e organizações da sociedade civil. Formar leitores é um dos desafios da nossa educação. Desafio que precisa ser enfrentado, porque a leitura é um meio de se formar cidadãos. Cidadãos conscientes, protagonistas de sua história e engajados com ideias para um mundo mais sustentável.

Por Cecília Carvalho, coordenadora de projetos da Fundação Bunge

Garra e comprometimento é o que move a ação voluntária


Publicado em 28/11/11 às 16h15 envie a um amigoenvie para um amigo

Historicamente, o voluntariado esteve vinculado ao assistencialismo, à filantropia e a um trabalho desenvolvido essencialmente pelas damas de caridade da sociedade.

Sofreu grande influencia religiosa, uma vez que a caridade é considerada como uma virtude. Nos últimos anos, esta atuação passou a ser vista como uma possibilidade de ação voltada para o bem estar comum, impulsionada por diferentes causas sociais.

No Brasil de hoje, o voluntariado vai muito além da compaixão e solidariedade. Ele se constitui numa grande força de mobilização social capaz de articular recurso e promover fortalecimento das organizações, tendo como base a inclusão social e uma maior equidade social.

Embora o voluntariado empresarial no país ainda tenha como foco atender às populações de risco, sua tendência é de um engajamento na promoção da ética e da cidadania. Há uma preocupação como temas ligados à educação, meio ambiente, saúde, cultura, defesa de direitos além da ética e responsabilidade social.

Com os desafios impostos com a recessão mundial, o voluntariado parece ter se fortalecido.

A questão da responsabilidade social se configura como uma tendência na evolução do voluntariado empresarial. A aceleração do processo de globalização exige uma atuação e envolvimento com a comunidade do entorno, que vai muito além do caráter econômico. O voluntariado é uma grande força de mobilização social e a tendência é de cada vez mais ampliar o impacto estratégico na comunidade pela sua capacidade de transformação da realidade social.

Neste dia 5 de dezembro, instituído pela ONU – Organização das Nações Unidas, como o Dia Internacional do Voluntário, faz jus ressaltar a importância que o voluntário assume com sua atuação, contribuindo, movido pelo seu entusiasmo e pela sua energia, com as suas habilidades e suas aptidões profissionais e pessoais para uma sociedade cada vez mais justa e igualitária.

Por Cecília Carvalho, coordenadora de projetos sociais da Fundação Bunge

O desafio de ampliar e integrar


Publicado em 23/09/11 às 10h45 envie a um amigoenvie para um amigo

O investimento social privado dos institutos e fundações ligados à iniciativa privada está diante de um grande desafio: direcionar as ações para o desenvolvimento dos territórios onde as unidades de negócio estão instaladas, evitando o que chamamos de vazamento do crescimento econômico.

Já imaginaram o que representa, em termos de custo para uma empresa, contratar colaboradores de regiões muito distantes das unidades industriais? Ou o que significa buscar fornecedores em outros estados para a manutenção de máquinas, por exemplo? Quando isso ocorre, significa que aquela comunidade não faz sentido para o negócio, pois os recursos que ela consegue oferecer são escassos – ficando, muitas vezes, restrito apenas aos recursos naturais. Por outro lado, significa também que a empresa não faz sentido para aquela comunidade, pois não consegue gerar empregos e impostos, aumentar a renda per capita e atrair novos investidores, por exemplo. Essa relação passa a ser predatória e não sustentável, pois negócio bom tem de ser aquele que favorece a todas as partes envolvidas.

Traduzindo, quando a empresa, por meio dos seus institutos e fundações, define, de maneira integrada com os municípios, investimentos em saúde, educação, desenvolvimento de empreendedores e infraestrutura, ela não apenas está colaborando com o desenvolvimento das localidades onde está inserida e contribuindo com a qualidade de vida da população local, mas também ampliando o desenvolvimento do negócio, pois aumenta a capacidade de atração e manutenção de mão de obra, a possibilidade de contar com fornecedores locais e, principalmente contar com funcionários da região.

No interior do estado de Tocantins, a Fundação Bunge está trabalhando com esse modelo de investimento social com o projeto Comunidade Integrada, desenvolvido nos municípios de Pedro Afonso, Bom Jesus do Tocantins e Tupirama. Trata-se de um programa de desenvolvimento territorial sustentável, que contempla a realização de diagnósticos e estudos socioeconômicos, além de um Plano de Gestão Integrada, a fim de orientar o investimento social privado, de forma articulada e integrada com as comunidades e necessidades de cada território, com ações desenvolvidas em três frentes: relacionamento com a comunidade, desenvolvimento humano e social e apoio à gestão pública. Todo esse trabalho é planejado e articulado com o que chamamos de Grupo de Trabalho Consorciado. São representantes das comunidades locais que nos ajudam a definir e implementar as melhorias que querem para as suas regiões.

E engana-se quem pensa que as comunidades não sabem apontar caminhos, arregaçar as mangas e dizer o que querem. O que falta a elas é oportunidade.

Por Cláudia Buzzette Calais - Diretora Executiva da Fundação Bunge

Importância da memória para a gestão das empresas no século XX e século XXI


Publicado em 29/08/11 às 10h30 envie a um amigoenvie para um amigo

Em cenários estáveis, quando empresas eram definidas e gerenciadas como máquina, a memória empresarial era importante para o registro da história, para guardar e repetir; porque a estabilidade do cenário garantia que o futuro seria a projeção do passado. Era nice to have. Foi assim até o final do século XX.

Cenários instáveis e imprevistos impõem a competência da adaptabilidade ágil para as organizações garantirem sua perenidade, isto é, quando o futuro deixou de ser a projeção do passado, a memória empresarial tem que ir além do registro do passado e garantir uma consciência de identidade da empresa como um sistema vivo em evolução, que aprende e se adapta ao longo do tempo. É um must have.

Assim, memória empresarial no século XXI passa a ser garantia de continuidade e mudança, como a memória humana: uma relação no tempo que gera uma identidade viva capaz de se atualizar rapidamente em cenários novos e imprevistos, competência estratégica que tem impacto enorme no valor de mercado da organização, porque isso significa que ela tem condições de dar garantias de entregas futuras em cenário de futuro incerto.

Tempo e memória não tem importância estratégica para empresas-máquinas. Mas são vitais para empresas-sistemas vivos.

Por Ricardo Guimarães, presidente da Thymus Branding e reconhecido como pioneiro do conceito de Branding como abordagem de gestão para empresas em mercados em constante mudança.

Construções Sustentáveis


Publicado em 08/06/11 às 14h45 envie a um amigoenvie para um amigo

Os edifícios – em sua forma, usos e funções – são parte de um contexto sócio-econômico-cultural que está em constante mudança. Desde a adequação da moradia provocada pela revolução industrial, novos conceitos de construções vêm sendo apresentados, considerando saúde, funcionalidade, flexibilidade e processos construtivos.

Devido a recentes eventos históricos, como os atuais debates sobre os limites de crescimento do planeta, os projetos de construções passaram a incorporar mais um aspecto: o da sustentabilidade. Afinal, atualmente, cerca de 40% da emissão mundial de gases de efeito estufa estão associados à construção civil.

A compreensão a respeito do chamado desenvolvimento sustentável (e do próprio conceito de sustentabilidade) torna-se mais abrangente a cada dia. Ela não mais se restringe ao problema do aquecimento global, ou à participação energética proveniente da construção civil. Pelo contrário, cada segmento econômico está intimado a apresentar a sua contribuição, motivo pelo qual é cada vez mais comum a organização setorial de câmaras técnicas sobre o tema. A pena pela omissão tende a ser severa, com possibilidade de forte retração na atividade sócio-econômica global.

No caso da construção de espaços para moradia ou serviços de menor complexidade (como escolas que não requerem aplicações especializadas), é possível o abatimento mínimo de cerca de 20% das emissões por meio da aplicação de conceitos de racionalização de materiais, energia e recursos. O estabelecimento de um projeto conceitual pautado sobre aspectos de sustentabilidade, antes mesmo do projeto arquitetônico, tende a otimizar esses resultados.

Uma experiência positiva nesse sentido é o projeto de escola sustentável para fundação Bunge, desenvolvido pelo escritório Indio da Costa AUDT com nossa consultoria. Partindo de uma conceituação clara e pré-definida, foi possível, sem prejudicar as premissas de conforto e qualidade, chegar a um resultado de projeto que gerasse o mínimo de cargas residuais durante a implantação e o uso (resíduos sólidos, gases de efeito estufa, efluentes líquidos, energia, mão-de-obra e manutenção). No projeto conceitual da escola, abordamos os seguintes aspectos:

• Balanços de massa e energia sobre o edifício, definindo potenciais de redução de emissões residuais de gases, consumo energético e efluentes líquidos;
• Materiais de construção apropriados, respeitando aspectos de sustentabilidade;
• Otimização do uso de recursos naturais por meio do melhoramento da relação do edifício com o entorno (água e energia);
• Minimização das emissões – GEE, emissões gasosas, efluentes líquidos e resíduos sólidos;
• Conforto e qualidade.

No resultado final alcançado pelo conceito, conseguimos uma redução de 50% em relação aos edifícios comuns nos índices de emissão de gás carbônico para a implantação do edifício-escola – resultados efetivamente promissores. Essa diferença mostra que é real a possibilidade de redução de emissões na construção civil, desde que se adotem novos modelos de edificações, contribuindo amplamente para a redução do aquecimento global.

Por Renan Lindner, Engenheiro Químico da OA Engenharia
Colaboração: João Maró, Arquiteto do escritório Indio da Costa AUDT

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