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O lado sustentável de cada um

Publicado em 13/10/09 às 09h45 envie a um amigoenvie para um amigo
Hoje, tornou-se politicamente correto para as empresas, profissionais ligados às áreas social e ambiental, mídia e políticos mais antenados com a realidade falar em sustentabilidade. Mas será que todos estão falando da mesma coisa quando citam esse tema? O termo sustentabilidade nos apresenta dois desafios: o primeiro é chegar a um consenso sobre o seu significado – é comum ser utilizado apenas como sinônimo de investimento na área ambiental; e o segundo é perceber qual o papel de cada um de nós dentro de uma política sustentável, o que implica em uma mudança profunda e, não superficial, de paradigmas.

Essa confusão de conceitos e práticas não está apenas na cabeça do dito cidadão comum. Uma pesquisa divulgada pela ABERJE (Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial) revelou que apenas 13% dos profissionais entrevistados relacionam o tema ao conceito do triple bottom line (desenvolvimento econômico com responsabilidade social e ambiental), muito adotado pelas empresas. Uma parcela significativa, 21%, relaciona o tema apenas a um dos pilares, o ambiental – aliás, prática muito comum também entre os empresários. Outro conceito difundido, talvez mais próximo da nossa realidade, é o de “adotar práticas no presente que não comprometam as gerações futuras”. Esse conceito nos leva a pensar e questionar as nossas práticas e como estamos colaborando nesse processo.

Muitas vezes, temos noção dos riscos ocasionados pelas mudanças climáticas, temos opinião formada a respeito do protocolo de Kyoto e conseguimos identificar aspectos falhos no atual modelo de crescimento econômico global. Porém, não conseguimos perceber o nosso papel nessa engrenagem. Não entendemos que somos protagonistas e vítimas de nossas ações. Que somos formandos e formadores de um processo maior de transformação econômica, social e ambiental. Nossas práticas revelam quem somos e no que acreditamos.

Precisamos de lideranças empresariais, políticas e sociais comprometidas com as mudanças que uma sociedade sustentável exige e, acima de tudo, capazes de conduzir esse processo. Porém, precisamos também começar a fazer a nossa parte. Somos responsáveis em exigir práticas macroeconômicas éticas , mas também em sermos éticos nas pequenas decisões econômicas que gerenciamos nas nossas relações interpessoais, nos nossos lares, nos nossos ambientes de trabalho. Somos responsáveis por reivindicar a preservação dos nossos ecossistemas, mas também por adotar o consumo consciente para minimizar o descarte de produtos na natureza. Somos responsáveis por cobrar políticas sociais eficientes sem interesses meramente eleitorais, mas também temos de nos sentir instigados a compartilhar o nosso conhecimento em prol do desenvolvimento do outro.

No século passado, certamente para falar de outro tema, o pacifista Mahatma Gandhi nos sinalizou com o caminho a ser trilhado para garantirmos a sustentabilidade de nossas ações: “Seja a mudança que você deseja ver no mundo.”

Por Cláudia Buzzette Calais, gerente de Responsabilidade Social da Fundação Bunge

ComentáriosComentar

Enviado em 22/10/09 às 09h18

Flavio Klimiont

flavio.klimiont@bunge.com

No tocante ' seja a mudança que você deseja ver no mundo', nossas lideranças políticas locais se forem levar isso ao pé da letra, sem dúvidas, devem primeiramente, mudar suas condutas e comportamento. Tenho a sensação de que o Partido Verde é quem conduz de maneira inteligente este conceito pelo desenvolvimento econômico sustentável. Se desejamos chegar longe, precisamos ser atevidos na cobrança aos líderes políticos e sociais e ao mesmo tempo cautelosos, funcionando como um agente catalizador, modificando na sociedade a cultura pelo desenvolvimento sustentável, que em casa, começa pela separação do lixo reciclável. Parabéns pela postagem! Obrigado pela oportunidade!

Enviado em 04/11/09 às 14h58

Carla Brunoro

Parabéns pela inicitiva do blog! Excelente espaço para discussões! Aqui, na ArcelorMittal Tubarão (ES), a sustentabilidade é tratada em seis dimensões: econômica, política, social, cultural, ambiental e Espiritual,um pouco além do triple bottom line. Sem dúvida, as ações sustentáveis devem começar dentro de casa, passando pelas empresas e irradiando as comunidades do entorno. Esse é o caminho!

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