Uma empresa de 6 bilhões de pessoas
O DESAFIO todos já conhecem: no século XXI, a humanidade terá de inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento, baseado na conciliação do crescimento econômico com a preservação da biodiversidade, o uso de energias renováveis e tecnologias limpas. As empresas serão cobradas por isso, e a sustentabilidade será um imperativo não apenas ético, mas prático, quando se esgotarem os recursos que dão suporte ao modelo de desenvolvimento praticado até hoje. A questão é: estamos preparados? Qual será o perfil do novo profissional diante desse cenário?
“Antes não havia preocupação ambiental e atualmente não dá para pensar no mundo sem ela”, diz Geraldo Borin, coordenador do curso de gestão ambiental da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). O próprio curso, cuja primeira turma se forma este ano, é um exemplo de uma alteração recente, impulsionada pela nova ordem mundial que traz consigo novas necessidades, novos valores e conhecimentos.
É um ciclo virtuoso. “À medida que a sociedade toma conhecimento de uma questão, são criados novos mercados de trabalho”, explica o professor. Esse mercado, por sua vez, necessita de pessoas habilitadas para as novas funções, e, para isso, são oferecidos cursos e disciplinas em escolas e universidades. A safra de novos profissionais dá continuidade ao processo, levando às empresas uma nova visão, o que acarreta a criação de novos empregos. E assim sucessivamente.
“A mudança é uma onda que se multiplica e que toma forma à medida que os movimentos vão acontecendo”, conclui Wagner Brunini, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos.
Brunini, que vem acompanhando as mudanças nas demandas do mercado de trabalho desde a década de 1970, se sente melhor com as novidades. No lugar do sucesso a qualquer custo, as empresas vêm cobrando de seus funcionários que sigam condutas éticas e que sejam responsáveis pelas consequências de suas ações no planeta. “Sustentabilidade é o que perpetuará as organizações”, afirma. Isso significa que, em vez de obter resultados imediatos, o profissional do futuro deverá saber avaliar se o que faz ajudará a manter sua empresa no mundo por mais tempo.
Pedro Jacobi, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (Procam-USP), vai além. Para ele, a sustentabilidade implica em uma nova maneira de pensar. “Temos de rever e repensar nossos hábitos de consumo. Não dá para imaginar, por exemplo, que todos os chineses terão um automóvel. Mas, por outro lado, se compramos menos, pessoas são demitidas e a sociedade sente”. Jacobi considera que a situação contraditória é o grande desafio a ser superado no século XXI. E aí, quem não tiver a preparação necessária para lidar com esse desafio estará em desvantagem. “A educação – em toda a amplitude do termo – será fundamental nesse processo”, resume Brunini.