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Prêmio Fundação Bunge 2012

José Francisco Soares

57o Prêmio Fundação Bunge – 2012
Avaliação Educacional
José Francisco Soares, premiado na categoria Vida e Obra

“A complexa questão educacional brasileira exige políticas públicas baseadas em sólida evidências empíricas.”

O mineiro JOSÉ FRANCISCO SOARES, 60 anos, já havia construído sólida carreira acadêmica no campo da Estatística quando decidiu se aproximar do campo da Educação, na década de 1990. Sua decisão não veio de uma vocação especial, mas de uma circunstância prática. Um edital ligado ao Ministério da Educação (MEC) abriu chamada para a criação de grupos de pesquisa dedicados à Avaliação Educacional no País, e José Francisco aproveitou a oportunidade.

Quem o ouve falar sobre o tema, no entanto, tem a certeza de se tratar de defensor apaixonado da educação brasileira. “Cheguei à Educação por um processo consciente de opção, mas também movido pela possibilidade de contribuir de maneira mais direta para o atendimento de um direito básico de cidadania.” Para José Francisco, ao se verificar o aprendizado no Brasil – quantos alunos aprenderam, o que aprenderam, o que deveriam aprender –, não se está fazendo outra coisa senão cumprindo o que determina a Constituição. “Um direito que não é verificado é apenas uma utopia.”

Natural de Conselheiro Lafaiete, a 96 quilômetros de Belo Horizonte, José Francisco graduou-se em Matemática pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1973; fez mestrado em Estatística pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro, em 1977; doutorado em Estatística pela Universidade de Wisconsin - Madison, nos Estados Unidos, em 1981; e pós-doutorado em Probabilidade e Estatística pela Universidade de Waterloo, no Canadá, em 1992.

A guinada para a Educação se deu poucos anos depois. Àquela época, o debate educacional no mundo passava por uma reconfiguração. Como explica José Francisco, começava a ganhar força “uma ideia, até então completamente estranha à reflexão educacional, de que resultados representados pelo aprendizado dos alunos devem ser considerados, e de forma central”. No Brasil, medidas como a Prova Brasil, o Enem e o Provão, todas da década de 1990, começaram a gerar dados sobre o aprendizado do estudante brasileiro, da Educação Básica ao Ensino Superior. Faltava quem soubesse manejar esses dados.

Para suprir essa demanda, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ambos ligados ao MEC, abriu o edital que atraiu a atenção de José Francisco. A partir daí, o estatístico transferiu-se para a Faculdade de Educação da UFMG, onde coordenou o Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais (Game), e, desde então, firmou-se como um dos mais importantes pesquisadores da área no País (em 2003 ainda concluiria um segundo pós-doutorado, em Educação, pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos).

Sua produção científica tem se focado em três problemas centrais. O primeiro diz respeito ao registro do aprendizado, para o qual é importante que se tenham não apenas instrumentos de medição (como medir), mas parâmetros (o que medir). O segundo problema diz respeito à equidade dos resultados (“Variações são esperadas, pois os indivíduos não são iguais; mas desigualdades entre grupos definidos por critérios sócio-demográficos devem ser combatidas”). E o terceiro envolve a tentativa de compreender o chamado “efeito da escola” – o que faz uma boa escola ser boa?

Hoje, José Francisco Soares é professor titular aposentado da UFMG, membro do Conselho Técnico do Instituto Nacional para la Evaluación de la Educación, do México, e do Conselho de Governança do Movimento Todos pela Educação. Recentemente, foi designado pela presidenta Dilma Roussef para participar da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação.