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Prêmio Fundação Bunge 2013

Alexandre Nodari

“A meu ver, a Crítica cultural só tem sentido quando contesta a si mesma e postula a ausência de fronteiras entre arte e vida.”

ALEXANDRE ANDRÉ NODARI nasceu em Florianópolis (SC), em 12 de outubro de 1983. Ainda menino, a família mudou-se para os Estados Unidos, onde passou três anos. Foram decisivos o contato com outra cultura, o fato de os pais serem professores universitários (o que propiciou lar repleto de livros) e a leitura de histórias em quadrinhos – além de uma fundamental experiência em sala de aula. “Tive professor do ensino médio, Pablo Pereira, que não adotava o método convencional e tão danoso de ensinar Literatura por meio de sucessões periódicas de escolas e movimentos, com todo aquele reducionismo de características, inspirações, etc. Ele simplesmente nos dava os textos para ler e pedia, sem maiores comentários, que escrevêssemos um ou dois parágrafos sobre eles.”

Seus pais ratificam que o gosto do filho pela leitura começou cedo, já com o caráter militante (chegou a participar de clube literário quando estudante secundarista) e evidente vocação crítica. Para Alexandre, lemos “tanto para dar consistência ao mundo, para entendê-lo, quanto para ver que ele não é tão consistente assim, que podemos transformá-lo, que ele é contingente”. Mas, na hora de escolher a graduação, o catarinense optou pelo curso de Direito, na Universidade Federal de Santa Catarina – “erro produtivo” motivado por idealismo: “Acreditei, como muitos acreditam, que poderia ser um instrumento de transformação social da realidade, da visão de mundo. Pode até ser (ainda que eu não acredite mais nisso), mas a lógica do Direito é a da conservação, da normalização”. À perda da ingenuidade e ao interesse pelo “pensamento das formas de vida”, junte-se uma matrícula realizada por engano, em disciplina ligada à Literatura, e sua trajetória tomou outro rumo.

Na monografia de conclusão de curso, Alexandre contrapôs conceitos do filósofo e jurista alemão Carl Schmitt, especialmente o da soberania, à “estranha forma de resistência” contida na declaração I would prefer not to (“Eu preferiria não”), do escrivão Bartleby, personagem do conto homônimo de Herman Melville. Em seguida, “o mesmo impulso de pensar tanto a diferença entre a ficção jurídica e a ficção que podemos chamar de literária, quanto as formas de vida contraestatais”, norteou sua pesquisa de mestrado, sobre o que Oswald de Andrade e seus companheiros da Revista de Antropofagia chamavam de “Direito Antropofágico”. Basicamente, a defesa e a valorização dos elementos políticos e filosóficos de um movimento que se queria mais que, apenas, estético.

Na tese de doutorado, Alexandre Nodari tentou desvendar a lógica da censura, que busca controlar pensamentos e instintos (enquanto a Lei só pode atingir atos, ações). Atualmente, trabalha para transformar esse estudo em livro, com “o propósito um tanto ambicioso de postular um conceito de censura que abarque suas mais diversas manifestações”. E continua participando dos projetos Sopro, panfleto político-cultural, e Cultura e Barbárie, a editora responsável pela publicação, além de ministrar em cursos de pós-graduação de universidades brasileiras e estrangeiras.