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Prêmio Fundação Bunge 2013

Leyla Perrone-Moisés

“O verdadeiro crítico literário é um leitor especializado, com grande bagagem de leitura, capaz de fundamentar seus juízos de valor. E isso é cada vez mais raro.”

LEYLA BEATRIZ PERRONE-MOISÉS nasceu em São Paulo (SP), em 1936. E a primeira coisa a saber é que ela não gosta de falar de si. Nos raros momentos autobiográficos, costuma ser objetiva, mesmo quando responde sobre a origem de suas grandes paixões: “O interesse pela leitura foi despertado muito cedo, por minhas leituras de infância, em especial Monteiro Lobato. O interesse pela Crítica Literária surgiu em decorrência do gosto pela Literatura e do desejo de partilhar esse gosto com outros leitores”.

Primeiro projeto de vida de Leyla, no entanto, foi ser pintora. Frequentou escolas de belasartes, ateliês, e teria continuado, não fosse a família, para quem “Pintura não era profissão”. Assim, terminou curso de Letras Neolatinas na USP, em 1957. Recém-formada, publicou resenhas no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo. O livro O Novo Romance Francês, publicado em 1966, reuniu artigos produzidos nessa época. Em 1971, concluiu doutorado sobre o poeta uruguaio Lautréamont, que resultou no livro A Falência da Crítica (1973). Dois anos depois, defendeu tese de livre-docência, transformada na obra Texto, Crítica e Escritura, cuja reedição, em 2005, trazia o reconhecimento por Antonio Candido de tratarse de um dos mais importantes trabalhos produzidos pela Universidade de São Paulo, de onde Leyla é professora emérita. Entre 1972 e 1975, viveu em Paris, oportunidade de aprofundar os estudos sobre os críticos-escritores e de conviver com intelectuais como Roland Barthes, Tzvetan Todorov, Philippe Sollers e Julia Kristeva.

Sobre os cursos de humanidades, ela se diz preocupada, “porque o mundo atual é regido pela economia e pela utilidade imediata”, e tais cursos “lidam com valores sociais e pessoais, estéticos e éticos, que não têm retorno pecuniário imediato”. Leyla também segue contestando a crítica não judicativa, porque “a crítica que não julga não é Crítica. Pode ser mera informação ou propaganda. A função da Crítica Literária é a de avaliar o valor estético de um texto e fazer uma triagem entre tudo o que se publica, sem compactuar com a ‘geléia geral’. A Crítica tem de avaliar, mesmo correndo o risco de errar”.

Sobre o futuro da Crítica em tempos de crise do meio impresso e proliferação de espaços na internet, demonstra desconfiança, principalmente pela superficialidade do que é veiculado. Mas afirma, de maneira otimista: “Justamente porque estamos saturados de informações ‘úteis’, as pessoas continuam seduzidas pelas palavras ‘inúteis’ dos poetas, que as tocam de modo mais profundo e pessoal”.

Com uma obra reconhecida no meio acadêmico brasileiro e também fora do País, Leyla escreveu cerca de 90 artigos, 30 livros e centenas de textos para jornais e revistas. Foi merecedora de diversos prêmios, entre os quais o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, o Alejandro José Cabassa, da União Brasileira de Escritores, e o Officier de L’Ordre des Palmes Académiques, do Ministério da Educação do Governo Francês.