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Prêmio Fundação Bunge 2014

Fernando Dini Andreote

Produtividade Agrícola Sustentável – Categoria Juventude

“A única bandeira que serve a todas as tendências – tanto aos mais conservacionistas quanto aos mais expansionistas – é a bandeira da produtividade.”

Assim como boa parte da humanidade, o engenheiro agrônomo FERNANDO DINI ANDREOTE, 34 anos, começou a se interessar mais seriamente por genética em 1997, por causa de uma ovelha chamada Dolly. Hoje, seu interesse está voltado para os genes de organismos infinitamente menores. “Temos mais de 10 mil espécies diferentes de micro-organismos no solo. Se conseguirmos fazer com que eles trabalhem para nós, diminuímos o impacto ambiental do uso de agroquímicos e aumentamos a sustentabilidade agrícola.”

O princípio do manejo agrícola baseado na microbiologia do solo, área em que Andreote é especialista, pode ser comparado à ação dos probióticos na saúde humana. Todo ser humano tem trilhões de bactérias em seu corpo, das quais depende para uma série de funções vitais, como a aquisição de defesa imunológica, a digestão ou a regulação do metabolismo. Da mesma forma, uma legião de micro-organismos ajuda a lavoura a evitar patógenos, a absorver nutrientes e a crescer mais saudável de modo geral.

Alguns exemplos de interação positiva entre micro-organismos e plantas já são conhecidos há décadas. É o caso das bactérias que ajudam leguminosas a retirar Nitrogênio da atmosfera, ou das micorrizas, associações entre fungos e raízes que auxiliam a planta a absorver mais água e nutrientes do solo. A imensa maioria dos casos, no entanto, ainda é desconhecida do homem. E é nessa lacuna que Fernando Dini Andreote encontra motivos para entusiasmo: “Por ser uma das áreas menos conhecidas no universo agrícola, acreditamos que é daí que poderemos gerar mais inovações”. Segundo o pesquisador, “mais de 90% dos micro-organismos que estão lá ainda não são usados conscientemente.” Mas os tempos estão mudando. Novas tecnologias de obtenção e sequenciamento da informação genética têm dado aos cientistas acesso sem precedentes aos segredos do solo, desenhando um cenário futuro de excelentes perspectivas. “Somos quase médicos legistas, retirando DNA do solo para determinar que tipo de organismos estão lá e o que eles podem fazer.”

Natural de Piracicaba (SP), Andreote não precisou deixar sua cidade natal por muito tempo para construir uma carreira já reconhecida por seus pares. Formado em 2002 pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) – centro da Universidade de São Paulo em Piracicaba, referência nas Ciências Agrárias no País –, estagiou na Holanda entre 2006 e 2007, no instituto de pesquisa “Plant Research International”, tem doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas, também pela Esalq, e pós-doutorado na Embrapa Meio Ambiente. Hoje, atua na Esalq como professor em Microbiologia do Solo e coordenador do programa de pós-graduação em Microbiologia Agrícola. Em 2011, recebeu prêmio de melhor trabalho na área de Microbiologia Ambiental pela Sociedade Brasileira de Microbiologia. E, agora, recebe o Prêmio Fundação Bunge de Ciências Agrárias, categoria Juventude, por sua contribuição ao campo da Produtividade Agrícola Sustentável.