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Prêmio Fundação Bunge 2014

Luana Serrat

Produtividade Agrícola Sustentável – Categoria Juventude

“Acredito no circo brasileiro, no nosso jeito de fazer o Circo.”

LUANA TAMAOKI SERRAT não se lembra de nenhum momento de sua vida em que não quisesse fazer circo. Filha dos artistas Anselmo Serrat e Verônica Tamaoki, criadores da Cia. e Escola Picolino de Artes do Circo, em Salvador, Luana aprendeu a andar quase ao mesmo tempo em que aprendeu a dar cambalhotas e a desafiar os limites do corpo. Aos 5 anos, já era contorcionista. Hoje, aos 32 (ela fará 33 em novembro), não só é uma artista mais completa, como é responsável por formar outros, tanto na Picolino quanto em duas outras companhias que ela própria montou.

Cria do circo, Luana nasceu em 1981, em São Paulo, onde seus pais cursavam a primeira escola de circo do Brasil, a Academia Piolin de Artes Circenses, e integravam o grupo de circo-teatro Tapete Mágico. Pouco tempo depois, o casal se mudaria para Salvador, na Bahia, onde fundariam, em 1985, a Escola Picolino – pioneira na região Nordeste e quarta escola mais antiga do País. Referência nacional das Artes Circenses, a Picolino fomentou toda uma geração de novos artistas, na qual Luana tem se revelado uma das mais talentosas e empreendedoras.

Formou-se em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e em Instrução Circense pela Picolino, onde ainda hoje dá aulas de tecido acrobático e é coordenadora artística, além de continuar fazendo parte da trupe, apresentando-se nos espetáculos da companhia (seu currículo inclui, também, passagem pelo curso de reciclagem da tradicional Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro). Mais recentemente, decidiu alçar voos próprios.

Em 2007, Luana e cinco amigas montaram a Fulanas Cia. de Circo, que em pouco tempo de vida já se estabeleceu no cenário nacional. Em 2011, criou mais uma, que desde o nome já atesta o respeito que a artista conquistou junto a seus pares da classe circense e aos jovens aspirantes: Cia. Luana Serrat. São projetos pessoais, mas que cumprem uma função importantíssima para além de sua criadora: “As escolas estão formando uma geração muito boa de profissionais, que nem sempre têm a oportunidade de exercer sua profissão, sua arte; as companhias dão a mais profissionais essa oportunidade”.

Embora avalie que o Estado venha dando mais suporte ao Circo e que a classe venha se fortalecendo, encontrando formas de captar recursos, apoios e patrocínios para dar continuidade ao trabalho, Luana sabe que ainda não é um mercado fácil: “Muitas das escolas de circo brasileiras, que já formaram vários artistas e grupos, estão passando por momentos difíceis. É preciso dar mais atenção e cuidar dessas escolas, verdadeiros patrimônios vivos da nossa cultura.”

À frente de suas companhias em espetáculos como Histórias Contadas de Cima (Fulanas), A Rádio do Seu Coração (Fulanas) e Moças Aéreas (Cia. Luana Serrat), ela tem colhido prêmios – os três receberam o prestigioso Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo, da Funarte (Fundação Nacional de Artes), A Rádio... foi premiada pela Fundação Cultural do Estado da Bahia – e reconhecimento mais do que merecido.