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Prêmio Fundação Bunge 2014

Produtividade Agrícola Sustentável

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No ano de 2050, a Terra será habitada por 9,6 bilhões de seres humanos. Para alimentar a todos adequadamente, a agropecuária global terá de produzir 70% mais alimentos do que produz hoje. Se fosse este o único desafio para as próximas quatro décadas, talvez não houvesse motivos para alarme. Afinal, nas quatro últimas décadas a humanidade foi capaz de aumentar a produção mundial numa escala jamais alcançada, plantando mais, abrindo mais pastagens, irrigando mais, aplicando mais insumos. No entanto, mesmo com todo o crescimento, não só não conseguimos acabar com o a fome no mundo – hoje são 842 milhões de subnutridos –, como chegamos a um ponto em que “mais” não é mais a resposta.

Não podemos abrir mais terras simplesmente: metade da superfície cultivável do planeta já é usada. Não podemos usar mais água: 70% de toda a água doce já é consumida pela agricultura, e as mudanças climáticas só fazem agravar o problema do estresse hídrico em diversas regiões.

Se quisermos chegar à metade do século XXI a salvo da fome, portanto, precisaremos aprender a produzir melhor. A fazer valer cada gota de água e cada palmo de terra, gerando mais com menos, sem descuidar do meio ambiente, em busca de um dos objetivos mais críticos da humanidade. E é para este objetivo que a Fundação Bunge espera contribuir, com a escolha da PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA SUSTENTÁVEL como um dos temas contemplados pelo PRÊMIO FUNDAÇÃO BUNGE 2014.

É um desafio imenso e amplo, que não se resolve com apenas uma nova tecnologia ou descoberta científica, mas sim com a cooperação de centenas de homens e mulheres empenhados em diferentes áreas de pesquisa. “Temos visto vários trabalhos que transitam pela interface entre as ciências, elaborados no sentido de congregar informações e áreas complementares, de integrar os diversos matizes que interferem no processo de produção”, diz o biólogo Adalberto Luis Val, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e membro do Conselho Administrativo da Fundação Bunge. “Não adianta produtividade agrícola se ela resulta em sérios impactos ambientais. E não adianta preocupação ambiental se ela resulta em custos sociais e econômicos elevados.”

De fato, mesmo um aumento de produtividade, por si só, não fecha a conta. De acordo com o relatório Criando um Futuro Sustentável para a Alimentação, elaborado pelos programas das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e para o Meio Ambiente (Pnuma), pelo Banco Mundial e pelo Instituto de Recursos Mundiais, o “cardápio de soluções” sugeridas por essas instituições incluiria outras medidas (os dados citados neste texto foram retirados desse relatório). Entre as soluções propostas, estaria reduzir o desperdício de alimentos (cerca de um quarto das calorias produzidas hoje são desperdiçadas entre o campo e a mesa); reavaliar hábitos alimentares (priorizando alimentos de maior eficiência energética, que demandem menos recursos e forneçam mais calorias e proteínas); e reduzir a desigualdade de renda e de acesso aos alimentos (e a agricultura, atividade econômica que envolve 2 bilhões de pessoas hoje, teria papel preponderante nisso).

Mas é no campo – naquilo que plantamos e em como plantamos – que se encontram as maiores oportunidades de mudança. Oportunidades como melhores sementes, mais adaptadas às condições regionais; como o uso mais criterioso e inteligente de fertilizantes e de outros insumos, que permita a maior absorção de nutrientes pelas plantas; como serviços mais eficientes de previsão climática, que dêem base mais sólida para o plantio e a colheita; como melhores técnicas de gestão do solo e dos recursos hídricos. Tudo isso são metas factíveis e ao nosso alcance, se forem criados os devidos incentivos.

Felizmente, o mundo tem feito isso – e o Brasil, em especial, é o País mais indicado para liderar esse movimento. Mas ainda falta muito, como constata Adalberto Luis Val. “Nosso maior gargalo é a Educação no sentido mais abrangente. Não apenas no sentido de formarmos mais técnicos e cientistas, mas no de formarmos a própria sociedade para que se aproprie das informações científicas. De que adianta produzir conhecimento no laboratório se ele não chega ao campo? Precisamos preparar melhor nossos cientistas e nossos profissionais de comunicação para decodificar a informação científica numa linguagem acessível; e precisamos também preparar a sociedade para absorver esse conhecimento.”

Ao lançar luz ao tema da Produtividade Agrícola Sustentável, a Fundação Bunge espera contribuir para isso.