Obax

Falando do livro:

 

De acordo com o Autor, o livro é uma história de ficção ambientada na África, inspirado no livro African canvas, the art of west african women e   nas fotos  da  Margaret Courney-Clarke. André Neves partiu de pesquisas sobre os nomes  dos personagens: obax (flor) e nafisa (pedra preciosa), e também sobre  o oeste africano. Obax é o resultado da mistura de referências da Nigéria, Costa do Marfim, Senegal, Mauritânia, Mali, entre outros países. Neles, ainda existem aldeias praticamente isoladas onde os costumes são ressaltados, sobretudo, nas manifestações artísticas.

A arte demonstrada no livro é feita pelas mulheres das tribos, que  usam lama e pigmentos naturais feitos a partir de plantas colhidas na região em que moram. Suas casas, roupas e objetos de cerâmica são uma explosão de cores, apesar da aridez da paisagem. Os motivos e padrões da pintura que enfeitam suas casas, roupas e objetos de cerâmica são reflexos de suas vidas.

A publicação apropria-se de elementos culturais africanos e afro-brasileiros, entretanto, amplia esse cenário através de uma narrativa singular e esteticamente comprometida com o universo infantil, retratando o norte do continente pela perspectiva visual, para trazer para as páginas do livro o lirismo e cores da cultura desta região.

Obax é uma criança de imaginação fértil, que inventava muitas histórias,  que de tão criativas, crianças e adultos não acreditavam. Então, ao tropeçar numa pequena pedra em forma de elefante, a menina teve uma grande ideia. Partiria pelo mundo afora. Sua busca era para provar a todos que sua história era verdadeira. E, na grande ilusão criada pela magia da literatura, Obax encontrou-sonhou-transformou sua vida com Nafisa, um elefante que havia se perdido da manada e vivia sozinho pelas savanas.

Junto ao elefante a menina atravessou o mundo, perpassou experiências e adquiriu vivências. A figura do elefante nos remete a um animal lendário, que rompe qualquer barreira de tamanho, de espaço e de tempo.

A narrativa é marcada pelo lúdico, pela fantasia, o nos coloca leitores do mundo do lado de lá do oceano, nos apresentando uma África colorida, saborosa. A pesquisa minuciosa de André Neves, marcada também pela ilustração, composta por diferentes texturas, nos traz um jogo de olhares em diversas perspectivas, de diversos ambientes africanos (casas nas aldeias, deserto, savana, litoral…). O olhar é conduzido a passear pelas páginas do livro como se estivéssemos em frente a uma tela de cinema, ora visualizamos o cenário de cima, ora de baixo, ora perto, ora longe.

 

Falando do Autor e Ilustrador:

André Neves, o escritor e ilustrador do livro, formou-se em relações públicas no Recife, mas sua paixão pelas artes o levou ao Rio Grande do Sul, onde atualmente desenvolve atividades relacionadas à literatura infantil e, em especial, à arte de ilustrar imagens para a infância.

 

Proposta de mediação de leitura:

 Para início de conversa, devemos lembrar que literatura é arte, e o aspecto estético proposto pelo autor André Neves está intrinsecamente abraçado no livro Obax.

A imagem é o elemento mais significativo na obra de André neves. Quando escreve, seu pensamento circula a partir da imagem. O autor constrói o visual da cena para depois desenvolver a história. A imagem ajuda a contar mais.

 

Atividade lúdica/ artística de mediação da leitura

 

A nós leitores, cabe o papel de explorar essas características, passeando com a menina e o elefante e observando os elementos que compõem verbalmente e imageticamente a obra: cores, texturas, som, movimento.

Aos professores, cabe a função de instigar seus alunos nessa descoberta, aos elementos característicos de uma África pouco conhecida, as vestimentas, as cores, os animais presentes nas ilustrações… Enfim, convidar o aluno a participar da narrativa e embarcar na viagem nesse mundo com Obax.

Sugestão:

  1.  Prepare uma caixinha com tampa e dentro coloque uma pedra lisa e redonda e encha-a de pétalas de flores. (caso tenha a possibilidade de colocar nessa caixa, um elefante pequenino de pedra, melhor).
  2. Instigue as crianças com perguntas sobre a história: exemplo: você já viu um elefante que vira árvore? Saberia dizer sobre uma chuva de flores? Já viu uma? Etc. Depois passe a caixinha e deixe que as crianças toquem, explorem.
  3.  Após essa roda de conversa, leia para eles, de maneira que possam ver as imagens – após leitura permita-lhes que toquem e folheiem o livro; No final pergunte sobre a obra, se gostaram e o que sentiram. Retome a ilustração contextualizando o tema afro e contando sobre as cores e desenhos próprios das Savanas e o seu valor cultural; conte-lhes um pouco sobre esse contexto, fazendo relação com a nossa cultura, costumes; etc.
  4. Proponha uma atividade de pintura e desenhos  sugerindo a Simbologia Adinkra (Ver site Negro Mostra Tua face para referência). Na simbologia Adinkra cada desenho tem um símbolo. E nós podemos propor que cada criança crie seus próprios desenhos simbólicos,  de maneira a imprimir  sua marca e história no objeto desenhado. Após essa fase, trabalhem com a argila (podem utilizar diversas cores de barro), com as mesmas inscrições que criaram no papel.
  5. No final faça uma exposição onde todos possam apreciar.

 

Referência e Recomendações Finais

Ps1: Obax é altamente recomendável pela FNLIJ 2011, está nos catálogos The White Ravens 2010 e de Bologna 2011, e deu a André Neves o prêmio Jabuti de melhor livro infantil de 2011

Ps 2: fonte de leitura interessante ao professor, para entender as fortes características dos valores sociais, familiares e culturais africanos seria o texto proposto pelo pesquisador Fábio Leite, que traz como título Valores Civilizatórios em Sociedades Negro-Africanas, publicado pelo centro de estudos africanos da Universidade de São Paulo. http://www.casadasafricas.org.br/img/upload/233632.pdf

Neves, André. Obax. São Paulo: Brinquebook, 2010.

Site: negro mostra tua cara:

http://negromostraatuaface-atividades.blogspot.com.br/

A SIMBOLOGIA ADINKRA Entre as manifestações culturais da nação Ashanti, destaca-se o estampado adinkra. Encontra-se também no povo Gyaman, da Costa do Marfim. Adinkra são símbolos que representam provérbios e aforismos. É uma linguagem de ideogramas impressos, em padrões repetidos, sobre um tecido de algodão.

Considerado um objeto de arte, o adinkra (adeus em twi), constitui um código do conhecimento referente ás crenças e á história desse povo. A escrita de símbolos adinkra reflete um sistema de valores humanos universais; família, integridade, tolerância, harmonia e determinação, entre outros. Existem centenas de símbolos, e a maioria deles é de origem ancestral, sendo transmitidos de geração em geração. Isso também se aplica para as cerâmicas.

A estampa das roupas e a cor expressam sentimentos de ocasiões específicas como festas de funerais, festivais tradicionais, ritos de iniciação como puberdade, casamento, etc. O tear é sempre  masculino, mas a estamparia é também das mulheres.

Artigo produzido por:

MS Angela Maria Simão Hoemke[i]

 MS Maria Laura Pozzobon Spengler[ii]

 



1  Mestre em Educação pela UNIVALI SC, Especialista em Currículo e Metodologia da Educação Básica e Formada em Pedagogia pela FURB. Consultora local Projeto Comunidade Educativa em Gaspar SC da Fundação BUNGE.

[ii] Pedagoga, Mestre em Ciências da Linguagem pela Universidade do Sul de Santa Catarina, pesquisadora de Literatura Infantil e Juvenil e é integrante do grupo de pesquisa Produções Literárias e Culturais para Crianças e Jovens, da Universidade de São Paulo.

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